LENINE
Oswaldo Lenine Macedo Pimental nasceu em Recife. Passou a infância e a adolescência ouvindo Stevie Wonder, Genesis e rock progressivo. Montou uma loja de discos com um amigo, chamada Wave, aos 17 anos, quando começou a compor. Aprendeu a ouvir e a gostar de música brasileira quando seu sócio o convidou para assistir a um show de Gilberto Gil, o Stevie Wonder brasileiro.
Aos 19 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, e em 82, gravou seu primeiro disco, "Baque Solto", em parceria com o conterrâneo Lula Queiroga. A mistura de maracatu e rock já estava lá, mas só veio estourar na década de 90 com o movimento Mangue Beat. Foi apenas em 93 que seu segundo disco saiu, agora, em parceria com o percussionista Marcos Suzano. "Olho de Peixe" deu maior projeção ao trabalho desses artistas, e rendeu a Lenine a fama de fundador do modelo atual do pop brasileiro.
Seu terceiro disco, "O dia em que faremos contato", foi lançado em 97. Nele, Lenine não apenas fala de tecnologia, como reelabora eletronicamente trechos de filme, achados de violão e muitos ruídos. Regrava apenas algumas composições dos seus 20 anos de carreira. Acredita que suas músicas têm um tempo de vida e muitas já caducaram. Por isso também, que seu último CD leva o nome "Na Pressão". Lenine quis gravar músicas que refletissem o que ele sentia naquele momento, e não o que tinha passado, e tinha pouco tempo para compô-las. Aconteceu tudo na pressão.
Em 98, Lenine recebeu o Prêmio SHARP 98 nas categorias Revelação MPB e Melhor Música de MPB ("A Ponte"), e concorreu na categoria Revelação, com o clipe "Dois Olhos Negros", no VMB 98, da MTV. Fez parte do Projeto "Os 5 no Palco", organizado pelo SESC São Carlos, cantando ao lado de Zeca Baleiro, Chico César, Paulinho Moska e Marcos Suzano, e tem duas canções no disco "Lual MTV".
Esse percussionista do violão define-se como um cronista que reflete seu universo. Influenciado pelos músicos nordestinos pop do final da década de 70, que misturavam o repente ao pop, como Alceu Valença e Geraldo Azevedo, Lenine trilha um caminho individual, é individualista e não faz parte de nenhum movimento. Diz não ter um estilo próprio e se apropria de estilos para fazer suas canções.
Fissurado em cinema, Lenine explica que dirije cada canção pensando na imagem em movimento, misturando sempre o groove às imagens. Costuma trabalhar em parceria com Lula Queiroga, Bráulio Tavares, Paulo César Pinheiro. Compôs mais de 400 canções e dezenas delas estão gravadas por outros intérpretes, como por exemplo, o hino à Pernambuco "Leão do Norte", que ficou conhecida na voz de Elba Ramalho, e "Jack Soul Brasileiro", gravado por Fernanda Abreu.
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