É Capital Inicial na cabeça
Nostalgia? Nem pensar. Quando, em 1998, o Capital Inicial resolveu juntar sua formação original, passava longe da cabeça de todos os integrantes ficar se sustentando em antigos sucessos para alimentar a saudade dos antigos fãs. Tudo bem, é lógico que em nenhum momento o grupo deixou esse grupo de lado, mas a ótima fase que o Capital Inicial atravessava está diretamente ligada ao público novo que a banda vem conquistando desde o lançamento de "Atrás dos Olhos", em outubro daquele ano.
Depois de vencer o desafio de voltar com um álbum de músicas inéditas, o Capital Inicial fugiu mais uma vez do óbvio: em vez de presentear seus fãs(novos e velhos) com um disco ao vivo, que normalmente é sinônimo de boas vendas, o grupo preferiu dar uma cara nova para seus sons, gravando um álbum para série Acústico MTV. O espírito Rock And Roll do grupo falou mais alto e aquelas grandes orquestras, naipes de metais e várias backing vocals ficaram de lado, ou melhor, passaram bem longe do Teatro Mars, onde o disco foi gravado.
Para completar a versão "desplugada" dos maiores sucessos da carreira do Capital Inicial, a banda contou apenas com o reforço de Kiko Zambianchi (o que, diga-se de passagem, é um reforço e tanto) e dos parceiros de estrada Aislam, nos teclados e Deny Conceição, na percussão. O balanço desse trabalho também não poderia ser mais animador. As vendas do disco estão indo muito bem, obrigado; e a Turnê pelo Brasil ... Bom, tente encarar uma das enormes filas que têm rolado em todas as cidades que eles passam para ver como está indo gente nos shows do Capital.
Para falar dessa ótima fase que a banda está passando, a Revista Transamérica trocou uma idéia com o vocalísta do Capital Inicial, o sempre simpático e atencioso Dinho Ouro-Preto:
Você já parou pra pensar que o Capital está prestes a completar 20 anos de estrada? Como você vê isso?
Na verdade são 17 anos. É mole? Bem, eu sinto duas coisas. Primeiro preocupação. Não de envelhecer pessoalmente, mas que meu trabalho envelheça. Não gostaria que o som do Capital ficasse datado. Por isso acho que temos que compor sempre. Em segundo lugar, sinto orgulho. Acho que é uma vitória ainda estar tocando depois de tantos anos.
Quando o Capital voltou com a formação original, vocês preferiram fugir do óbvio e lançaram um disco inédito. Por que, naquela época, vocês adotaram uma estratégia diferente das outras bandas?
Justamente porque não queríamos que as pessoas vissem a nossa volta como uma onda nostálgica. Queríamos que as pessoas nos vissem como uma banda viva, que compõe, e que, portanto, tem futuro. Queremos olhar para a frente.
Passado um tempo do lançamento do Acústico, qual o balanço que vocês podem fazer desse trabalho?
Ainda é cedo. O disco saiu há três meses. Mas acho que pegou na veia. Conseguimos apresentar nosso material antigo aos novos fãs. Era o que queríamos. Mas reitero, é um projeto especial; na seqüência, vem outro disco de inéditas.
Como está indo a atual turnê?
É só alegria. Muitos shows e todos lotados. Fazia um bom tempo que não tínhamos uma turnê bem-sucedida.
E os fãs do Capital, como assimilaram esse novo trabalho da banda?
Acho que no começo as pessoas ficaram apreensivas. Imaginavam que fôssemos mudar, ficar mais adultos ou românticos. Enfim, temiam que abandonássemos o rock. Quando viram que não, acho que ficaram aliviadas.
O público do Capital de hoje em dia é o mesmo da década de 80?
Acho que não. A maioria é de novos fãs. Gente que nos conheceu a partir do "Atrás dos Olhos", nosso disco passado.
Como é pra vocês, que começaram com uma forte influência punk e sempre tiveram espírito de rock and roll, tocar sentado, com banquinho e violão? Não dá vontade de levantar, pegar uma guitarra no talo e sair pulando?
Confesso: é difícil. Eu tenho a impressão de que lentamente o show tá cada vez mais rock and roll. Eu, por exemplo, já faço metade do show em pé.
E a parceria com Kiko Zambianchi. De onde surgiu essa idéia e como está rolando esta parceria?
Quando optamos por um formato mais rock (sem muita produção) percebemos que precisaríamos de mais um violão. Queríamos que o cara, além de tocar e cantar, fosse nosso amigo e que também tivesse sua própria carreira. Não queríamos um músico contratado, um anônimo. A escolha não poderia ter sido melhor: nosso relacionamente musical e pessoal é perfeito.
E agora, quais são os próximos planos da banda?
Bem, a turnê acaba de começar. Acho que ainda teremos um ano pela frente. Mas minha cabeça já está no próximo disco. Se conseguirmos fazer um disco tão bom quanto o Atrás dos Olhos, estarei satisfeito.
Fonte: Revista Transamérica - www.transanet.com.br
|