Pe. Antônio Vieira
Maior expressão da ideologia contra-reformista na literatura portuguesa e brasileira. Um dos maiores oradores de seu tempo.
Viveu entre Portugal e Brasil, atuando comomissionário, político e diplomata. Participou ativamente das questões políticas, sociais, religiosas e econômicas de seu tempo. Alimentou o sonho de um império português poderoso católico. Por ter idéias sebastianistas e defender cristãos novos, Vieira foi preso pela Inquisição e foi proibido do exercício da oratória. Pregou a brancos, negros, índios, brasileiros, africanos, portugueses. Destaca-se pelos seus sermões (mais de duzentos), apoiados na lógica aristotélica. A argumentação sutil, a sintaxe opulenta e rebuscada, a erudição e repetições fazem parte de suas oratórias. Por fim, devemos acrescentar que, embora conceptista que atacava o estilo cultista, valeu-se pela técnica que combateu.
Fragmentos:
"Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão, os que semeiam sem sair são os que se contentam em pregar na pátria. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura: aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de contar os passos. Ah! dia do juízo! Ah! pregadores! Os de cá, achar-vos-ei com mais paço, os de lá, com mais passos..."
- Sermão da Sexagésima -
"Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres... O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao inferno: os que não só vão mas que levam, de que eu trato, são os outros - ladrões de maior calibre e de mais alta esfera...
Os outros ladrões doubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo de seu risco, estes, sem temor nem perigo: os outros se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam."
- Sermão do bom ladrão -
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