O significado artístico do estilo barroco (Barroco: segundo a concepção tradicional, denominava uma espécie de pérola de formato irregular), está ligado a duas das maiores tradições literárias do mundo ocidental: a tradição clássica (humanista, racionalista, universalista) e a tradição medieval (teocêntrica, sentimental, individualista).
Ao longo do século XVII ocorre um conflito entre ambas as tradições, o qual pode ser explicado através de uma perspectiva histórica. A partir da terceira década do século XVI, a Reforma liderada por Lutero desfez a unidade religiosa européia e abalou o poder da Igreja Católica. A reação da Contra-Reforma, por meio do Concílio de Trento (1545 a 1563), acentuou um embate idológico que se estendeu por todo o século XVII, avançando, em alguns países, pelo século XVIII.
As contradições entre ideias antropocêntricos podem explicar o surgimento do estilo Barroco na Espanha, na Itália e em Portugal. O barroco seria, portanto, a expressão, nas artes, da profunda crise ideológica e da multiplicidade de estados de espírito do homem seiscentista, dividido entre a razão e a fé , entre a mentalidade em expansão (tradição clássica) e os valores medievais defendidos pelo clero e pela nobreza.
No Brasil, o barroco litrário coincide com o ciclo da cana-de-açúcar, com as invasões holandesas, com a formação da família patriarcal nos engenhos de cana do Nordeste, com a ocupação efetiva do território brasileiro, com o domínio espanhol (União Ibérica), com a implantação do espírito católico contra-reformista, através da presença dos jusuítas, etc.
O estilo Barroco criou novas linguagens, novos significados, sendo que a irregularidade, em contraposição à simetria e à regularidade do Classicismo, constitui a sua marca, expressando o pessimismo, o conflito, o desequilíbrio entre razão e emoção.
Tem como características principais a preocupação com a transitoriedade da vida, preocupação constante com a morte, religiosidade, pessimismo; gosto pelo grandioso, sangrento, trágico; conflito entre o profano e o divino, linguagem excessivamente ornada com: a metáfora, que revela a tendência barroca à alusão e à descrisão indireta; a antítese e o paradoxo, que exprimem a coexistência angustiada de idéias e sentimentos opostos e contraditórios; a hipérbole, expressão da perplexidade diante do mundo e da vida; e o hipérbato, que reflete a inversão da frase e as contorsões da alma.
O Cultismo e o Conceptismo constituem as duas tendências básicas do Barroco. Embora sejam estilos diferentes, podem coexistir num mesmo autor ou até numa mesma obra. Há casos em que a distinção entre eles é muito difícil, se não impossível.
O Cultismo ou Gongorismo (termo inspirado no poeta barroco espanhol Luis de Gongora) consiste numa hipertrofia da dimensão sensorial (sonoridade e imagens) da obra literária, recorrendo exageradamente a metáforas, sinestesias, aliterações, hipérbatos, antíteses, trocadilhos, neologismo estranhos etc, e assim oferecendo-se como um espetáculo para os sentidos.
Já o Conceptismo ou Quevedismo (termo inspirado no poeta barroco espanhol Antônio de Quevedo) consiste na hipertrofia da dimensão conceitual da obra literária. Utilizando-se mais da razão que dos sentidos, o autor conceptista cria raciocínios engenhosos, num refinado jogo intelectual de paradoxos e sutilezas lógicas.
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