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    Gregório de Matos


    A biografia de Gregório de Matos é bastante imprecisa, pois são escassos os documntos e os depoimentos de conteporâneos.

    De certo, sabemos que Gregório de Matos e Guerra nasceu em Salvador no dia 23 de dezemebro de 1636. Seu pai, também Gregório, e sua mãe, Maria, pertenciam à classe dominante -- eram proprietários de terras, de engenho de açúcar e de escravos. Morreu em 1696, em Pernambuco; doente, sem recursos e proibido de fazer suas sátiras. Segundo a tradição, seu escritório de advocacia em Recife era decorado de cachos de bananas.

    As múltiplas vertentes da poesia atribuída a Gregório têm provocado a perplexidade dos estudiosos e alimentado uma longa polêmica. Entretanto, é nessa mesma multiplicidade que reside sua riqueza. As conttradições entre os vários Gregórios de Matos é que desenham o seu perfil barroco: estilo baixo/estilo alto; o sublime/o grotesco; piedade, ascese, arrepedimento/hedonismo (culto do prazer); reflexão, morallismo/poesia jocosa, sátira maldizente; idealização do amor e da mulher/amor carnal, pornografia...

  • Estilo alto - elabora os mais engenhosos jogos de pensamento (conceptismo, sob a influência de Camões e do espanhol Francisco de Quevedo) e os mais requintados jogos de linguagem, manipulando a sonoridade e as imagens em veradeira pirotecnia verbal (cultismo, influenciado sobretudo por Góngora).

  • Estilo baixo - parodia a linguagem barroca do estilo alto, tirando efeitos saborosos do falar brasileiro/baiano da época, incorporando o vocabulário indígena e africano e descendo à linguagemm do mais baixo calão.

  • Poesia satírica - estilo direto e ferino que chega à pornografia. Critica autores, padres, freiras, negros, mulatos, etc.

  • Poesia lírico-amorosa - vai do platonismo à obscenidade. Aborda a temática do conflito entre a carne e o espírito. Quanto mais escura a pele da mulher, mais agressiva se torna a libido do poesia.

  • Poesia sacra - tematiza a dualidade matéria/espírito, culpa/perdão. Apresenta uma consciência nítida do pecado.

  • Poesia reflexivo-filosófica - apresenta o sentimento da fugacidade do tempo e da incerteza da vida, com um senso agudo das contradições do espírito.

    Fragmentos:

    "A nossa Sé da Bahia, com ser um mapa de festas, é um presépio de bestas, se não for estrebaria"

    - texto satírico -

    "Mas vejo qu por bela por galharda, Posto qu os Anjos nunca dão pesares, Sois Anjo que me tenta e não me guarda."

    - texto lírico-amoroso -

    "Ardor em firme coração nascido; Pranto por belos olhos derramado; Incêndio em mares de água disfarçado; Rio de neve em fogo convertido; Tu, que em um peito abrasas escondido; Tu, que me um rosto corres desatado; Quando fogo, em cristais aprisionado; Qunado cristal em chamas derretido."

    - texto filosófico -
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    Última atualização: 14 de Abril de 2001.
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