Tomás Antônio Gonzaga
Formou-se em Coimbra, passando a exercer advocacia até 1782, quando foi nomeado ouvidor (juiz) de Vila Rica, retornando ao Brasil.
"Marília de Dirceu" é sua principal obra, escrita a partir de um romance real. "É considerada árcade pelo bucolismo, pela presença da mitologia clássica e pela simplicidade da linguagem, etc.
"Sua obra não se limitou a imitar os clássicos, mas ,antes, introduziu aspectos reais da vida local: a mineração, os animais, o dia-a-dia."
Na primeira parte predominam as convenções neoclássicas: os arrufos amorosos dos pastores, o "locus amoenus", as referências mitológicas, dentre outras.
A recorrência do tema do "carpe diem" revela a preocupação de Gonzaga com a própria idade.
A segunda parte do livro foi escrita na prisão. As referências à realidade biográfica são mais diretas: o cárcere, o processo judicial, o medo, a perspectiva da morte, a solidão, o sentimento da injustiça.
Embora ainda se mantenham, as convenções não garantem o pleno equilíbrio neoclássico; a expressão, dominada pelo pessimismo, torna-se mais intensa e dramática (pré-romântica).
Também lhe é atribuída a obra "Cartas Chilenas", versos satíricos, manuscritos, que circularam anonimamente em Vila Rica, pouco antes da Inconfidência Mineira.
Assinadas "Critilo" (Tomás) e endereçadas a "Doroteu" (Cláudio Manuel da Costa), as "Cartas" narram os demandos do governador Luís da Cunha Meneses (nas "Cartas" como Fanfarrão Minésio).
Fragmentos:
"Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado:
Os pastores que habitam este monte,
Respeitam o poder do meu cajado".
"Que havemos de esperar, Marília bela?
que vão passando os florescentes dias?
As glórias que vêm tarde, já vêm frias,
e pode, enfim, mudar-se a nossa estrela.
Ah! nã o, minha Marília,
aproveite-se o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça!"
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